Arquivo do mês: agosto 2012

Facebook e a praga dos banners

                                                                                                                       By C.K.

 Ando um tanto fastiada com a quantidade de banners fazendo alusões à “sabedoria” e a “integridade moral” vindos de muitos amigos meus do Facebook. Adoraria que 5% deles realmente cultivassem as virtudes que pregam com tanto orgulho. São citações majestosas, pomposas, sempre atribuídas a grandes filósofos e personalidades que infelizmente não mais estão entre nós para protestar quanto a veracidade das fontes, coitados.

Mas há os religiosos que desafiam, “demonizando” os que ousam não crer ou não ter fé: a ameaça explícita é o bilhete de ida para o inferno! É uma sanha impiedosa! Outros utilizam-se do velho truque do auto-enaltecimento com dizeres do tipo: “Quem tem luz própria não tem culpa de quem vive na sombra” ou “Desculpe se meu brilho ofusca a sua escuridão”, e por ai vai. E se a pessoa não curte, ela é supostamente o objeto ao qual estão se referindo os benners, a que a carapuça vestiu! E já vi muito gente boa postado estas tolices, e outras tantas tratando de “curtir” para não estar do lado de fora, os párias! Há dias em que me divirto vendo essas coisas, mas noutros me pergunto qual seria a diferença entre esses postadores de banners infames, para a criança que numa certa idade, tipicamente confronta a outra com frases do tipo:”meu pai tem um BMW e o seu não tem” ou “na minha casa tem bolo de chocolate todo dia, na sua não tem” São tão infantis quanto. A competição, a maldadezinha, o tal bullying tão em voga ultimamente, é o mesmo: a vontade de parecer ser melhor aos olhos do outro, o que é, nada mais nada menos, que insegurança e baixa auto-estima. E já vi gente acima de qualquer suspeita utilizando-se deste recurso. E como não podia fechar este assunto sem antes fazer a tradução do mesmo num ditado famoso que bem poderia ser mais um banner replicado por centenas de amigos: “Se pudesse um espírito que chora, olhar através da máscara da face, tanta gente que inveja nos causa hoje, talvez piedade nos causasse” (desconheço o autor)

Autor: Cynthia Kremer

Não compre animais, adote!
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Tertuliano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tertuliano, frívolo peralta,

Que foi um paspalhão desde fedelho,

Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,

Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,

E, indo à casa do pai, honrado velho,

A sós na sala, diante de um espelho,

À própria imagem disse em voz bem alta:

– Tertuliano, és um rapaz formoso!

És simpático, és rico, és talentoso!

Que mais no mundo se te faz preciso? –

Penetrando na sala, o pai sisudo,

Que por trás da cortina ouvira tudo,

Severamente respondeu: – Juízo. –

– Artur Azevedo –

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Intimidade

 

 

 

 

 

Quando sorrindo vais passando,
E toda essa gente te mira cobiçosa,
És bela – e se te não comparo à rosa,
É que a rosa, bem vês, passou de moda…

Anda-me às vezes a cabeca à roda,
Atrás de ti também, flor caprichosa!
Nem pode haver na multidão ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e doida.

Mas é na intimidade e no segredo,
Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!

E não te quero nunca tanto (ouve isto)
Como quando por ti, por mim, por Cristo,
Juras – mentindo – que me tens amor…

– Antero de Quental –

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Vaidade

– “Ai Maria, vem depressa e desamarra este colete, pois já temo estourar como um foguete!
– A Nhazinha está tão bela, mas enfim dá tantos ais…
– Ó, espera! Estou bonita? Pois então aperta mais!”

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