Arquivo do mês: novembro 2009

Noturno – Antero de Quental

Vincent Van Gogh – Noite estrelada 

Me é agradável saber que Antero de Quental era meu tio-trisavô por parte de mãe e que Eric Maria Remark era meu tio-avô por parte de pai. Só não me é agradável constatar que não herdei deles, o talento para escrever! Isto posto, justifico não colocar nada de minha autoria hoje. Falta total de inspiração! Resolvi recorrer então, a um verso de Antero de Quental, do qual gosto muito:

Noturno

Espírito que passas, quando o vento

adormece no mar e surge a Lua,

filho esquivo da noite que flutua,

tu, só, entendes bem o meu tormento…
Como um canto longínquo – triste e lento –

que voga e sutilmente se insinua,

sobre o meu coração que tumultua,

tu vestes pouco a pouco o esquecimento…
A ti confio o sonho em que me leva

um instinto de luz, rompendo a treva,

buscando entre visões o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome,

a febre de Ideal, que me consome,

tu, só, Gênio da Noite, e mais ninguém.

(ANTERO DE QUENTAL)

 

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