As vezes sinto o tédio de muitas ostras a descascar…
tédio que envolve contra o meu prazer.
Eu quero o lado escuro
dos lugares e monumentos
que empresto ao meu amor…
isso me faz viver!
A distância do meu amor
perturba a paz
que já suposta
há logo atrás daquela porta
em que forço entrada
em desespero
querendo colocar no lugar
imaginado
o que por hora
o tufão dispersa
Sinto tanto e de tal forma
o fogo abrasivo do meu desejo
que iludo-me na hora extravasada
e sendo assim não mais revejo
memória exaustiva de um único beijo
prolongado em ânsias de jamais!
Ausente,na abstração de um gesto teu esquecido
enquanto tua face se desfaz
na falha química de minha mente
que de tanto tentar te fazer presente
em desespero
te perde lentamente
Passarão todos os fatos
pelos sentidos do corpo
que já anda farto
de um mesmo discurso tortoNesta vida que anda negra,
passarão coisas em branco
passarão todos os fatos
de um mesmo discurso tortoPelos sentidos do corpo
passarão todos os fatos
de negras variações sem fim,
claras metamorfoses do fim
Houve nos portões momentos de encantos
cheios de sonhos confiscados por quem temeu o meu olhar
e lá havia tanto mar que eu me perdi na distância
e ainda na infância eu não sabia onde o tempo ia parar.
Agora essa luz percorrendo o meu olhar
as respostas se escondem nos penhascos
é preciso flutuar e assim
a antigravidade desse sonho permanecerá.
O mundo é grande,
a memória é fraca
e é sofrida a existência
a procura do engolido
pelo esquecimento,
é o tema preferido.O tempo é pouco,
o apego é grande
e é vital a permanênciaEm busca do tempo perdido,
do molho de chaves
e do grito esquecido…
Infância, quantos tesouros nas tuas horas
sustentadas pelas memórias
quando minha febre altíssima comungava êxtase e amar.
Enquanto continuam meus instantes,
entro no que sou e saio de mim desesperada!













