Copacabana, berço da civilização ocidental

Aconteceu aqui em Coapacabana, mais precisamente, na já extinta Confeitaria Colombo: Havia uma senhora, bem idosa, que chegava sempre na mesma hora: às 4:30 da tarde, toda arrumadinha, maquiada, sentava-se, (de preferência na mesma mesa) pedia o “chá completo” e, invariavelmente, brigava com o garçon e implicava com tudo. Um antigo garçon da casa me contou que ela ia lá todos os dias da semana, há muito anos seguidos, e que nas segundas feiras, (quando a confeitaria de Copacabana fechava) ela ia pra Colombo do Centro. E a “razão” disto tudo, foi que ela e o “noivo” quando novos, frequentavam a confeitaria juntos meio “furtivamente” porque parece que ele era casado. E num determinado dia, ele não foi. E também não no outro, a assim, sucessivamente. Segundo o garçon, ele havia morrido repentinamente e (acredito eu) ela, num gesto de negação, continuava a ir lá, – por provavelmente, ser o único lugar que podiam se encontrar – como se um dia ele pudesse chegar, como de costume, ao seu encontro. Isso daria até um conto nas mãos de um Rubem Braga, né? Mas é uma “lenda de amor” de Copacabana. E verdadeira, pois eu era adolescente quando tomei conhecimento desta história que me impressionou e me marcou muito. Não sei bem porque – talvez pela delicadeza, de um quê de solidão que ela me transmite – toda vez que ouço esta música “Noturno” de Chopin, me lembro desta história perdida no tempo e conhecida por poucos…

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