A primeira paixão a gente nunca esquece!
Lembro perfeitamente de quando ouvi Pink Floyd pela primeira vez; foi na festa de aniversário de meu primo. Dois dias depois, estava com TODOS os discos do Pink Floyd lançados até então; Meddle, Dark Side of the Moon, Obscured by Clouds e UmmaGumma. Dois dias depois, porque disco importado, só numa importadora de discos que havia na rua Djalma Ulrich! E nessa época, eu morava em Petrópolis. Alguns anos depois é que abriu a “Billboard” na Barata Ribeiro; era tudo bem mais difícil do que hoje em dia, meus caros! Logo depois que comprei os discos, peguei sarampo e fiquei mal mesmo. Mas lembro que era uma “viagem” ouvir “Fearless”, “Us and Them”, “Time”, “One of These Days”, “In the Flesh”, “the Thin Ice”, com aquela febre alta; acho que deve ser alguma coisa similar a uma viagem de LCD. Digo isso porque nunca usei drogas, nem maconha – embora não tivesse faltado incentivos – mas deve ser algo parecido. Era uma sensação indescritível…o céu azul da primavera de Petrópolis, aquele sol que não agride e dá uma tonalidade linda as coisas, aquela paz do meu “sótão” onde eu tinha o meu laboratório fotográfico e, fora dele, uma vista panorâmica estonteante! Ficava horas ali, ouvindo essas músicas e imaginando, sonhando coisas impossíveis; dentre elas, me casar com o David Gilmour, óbvio! Essas coisas que toda adolescente faz – foi uma época mágica pra mim; acho que se morasse no Rio nesse período, não teria vivido coisas tão marcantes e legais. Lembro que acordava cedinho e ia continuar a dormir na beira da piscina de pijama e tudo…o sol, aos pouquinhos, começava a me aquecer, era uma delícia! Eu lembro também, que ganhei de presente toda a aparelhagem de som do Teatro da Praia, quando meu tio resolveu atualizar. Imaginem isso pra uma garota de 13 anos?! Aí eu comecei a querer dar festas em casa. Minha mãe relutava pela minha pouca idade, mas um dia rolou. Fui um fiasco!! Fui com a minha prima no D’angelo (um bar tradicional da cidade) e convidamos pessoas que estavam lá, desconhecidas, dizendo que haveria uma festa na minha casa, e tal. Então de noite, apareceu uma galerinha estranha, (eu achava que eram velhos, mas deviam ter no máximo uns 18 anos) perguntando onde tinha álcool. Eu falei: “peraí, vou pegar!” e trouxe uma garrafa de álcool mesmo, aquelas de farmácia, (pensei que algum havia se machucado, sei lá). E eles disseram num tom irônico e debochado: “não, a gente quer beber qualquer coisa com álcool, vinho, vodka, whisky, cerveja, têm?” eu fiquei bege de vergonha, porque nem me passou pela cabeça que as pessoas que chamei quisessem ir a minha festa “só” pra tomar bebidas alcoólicas! Aí eu disse que não tinha e foram todos embora. Fiquei arrasada.
Mas em compensação, as festas seguintes, bombaram! Eu já estava escolada, sabia como divulgar e como segurar a onda do pessoal. Já dizia antes: “não vai rolar bebida” mas em compensação, vocês vão ouvir um som que jamais escutaram numa festa!” aí enchia. Era literalmente um “mar” de gente (claro que eu não conhecia nem 10% das pessoas, mas minha mãe fez um esquema de liberar apenas uma parte da casa e do jardim; meu pai nem se abalava: ia dormir) e era um sucesso! Nunca houve uma briga, ou confusão, era um verdadeiro “woodstock” particular. Minhas festas começaram a ficar famosas à partir daí. Colocavam até sinalização de como chegar até lá, dizendo “festa da Cynthia por aqui”. Até hoje eu não sei quem fazia isso, mas funcionava, porque era meio difícil chegar. Meu irmão mais velho, Ditlev, e minha mãe, ficavam de olho em tudo, além da “Moke”, nossa empregada, que era uma fera! Ficava com a vassoura na mão e ai de quem, quisesse invadir a cozinha em busca de algo. Uma vez, chegou um cara vestido de forma estranha,(um dandy) de guarda-chuva e tudo. Meu irmão implicou com ele e convidou-o a retirar-se. Outra vez, um garoto LINDO, que TODAS as meninas de Petrópolis eram a fim, se trancou no banheiro e cheirou éter! Nossa, foi um horror pra tirar ele de lá; meu irmão arrombou a porta e o “galã” de todas nós, lá estava, sentado no chão do banheiro, num estado deplorável…o encanto por ele, (pelo menos de minha parte) acabou alí.
Mas foram só esses, os incidentes nas minhas festas! O resto era festa mesmo, um mar de gente se divertindo na maior alegria e paz!
E têm mais…ainda nem falei sobre o meu primeiro namorado…


















